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Snow White

Hey hey, I'm Snow White and this is my blog.

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Sobre as atrações platónicas...

  Ele, sorriso ragado, olhar cativante, um rapaz que todas as raparigas da sua idade achavam desejável. Não era um pinga-amor, quase de certeza. Aposto que as suas namoradas se contavam pelos dedos. Foi inteligente o suficiente para no futuro se tornar num "doutor", mas estava longe de ser um sobredotado ou um cromo. Era o seu último ano de secundário e a vida corria-lhe bem, via-se a descontração e a felicidade no andar cheio de estilo, como sentisse que podia conquistar o mundo.

  Ela, sorriso escondido, olhar frio, uma rapariga que se tentava "esconder" de relações demasiado próximas, fossem amizades ou paixões. Dizia que ninguém a conhecia por completo, não contava os seus segredos mais profundos a ninguém e receava que alguém descobrisse que aquela menina bem-comportada e estudiosa, afinal, também possuia a sua rebeldia. Ela era perfecionista, tinha dificuldade em achar que era boa o suficiente, não importava qual era o assunto. Até se achava bonita, mas não o suficiente. Quando alguém a elogiava ou percebia que a achavam gira, acabava por sentir-se mais feliz, no entanto, a insegurança permanecia. Ela era segura em muitos assuntos, acreditava no seu potencial e que podia ser o que quisesse e quem quisesse. Mas o facto de não conseguir mudar aquilo que não dependia diretamente dela desabrochava em si insatisfação e uma sensação de inutilidade. Apesar disso, com os amigos era feliz, mesmo que eles não a conhecessem por completo sabiam o suficiente para confiarem nela, e ela sabia que podia confiar neles e com eles passar pelas aventuras da adolescência. Ela era mais nova do que ele e sabia que ele não a queria, não como ela o queria. 

  Ela pensava que ele até podia achá-la gira, mas sabia que isso não era suficiente. Sabia que ele era um rapaz decente e não iria sequer tentar tê-la como amiga. Além disso, sabia que, mesmo que, para ele, ela fosse gira, seria só uma miúda e não acreditava na possibilidade de ele achá-la atraente. A "miúda" adorava aquela atração platónica. Aos amigos dizia que não era nada de especial, que só o achava giro, mas não escondia o sorriso e o brilho nos olhos quando ele passava ou quando falava dele. Sonhava com um futuro em que tivessem alguma relação, mesmo que fosse passageira ou que fosse só uma amizade. Para ela, tê-lo como amigo seria uma possibilidade de tê-lo na sua vida, sem a abalar tanto. Era, em simultâneo, uma oportunidade de dissimular aquela atração, uma vez que, segundo ela, se se tornassem muito próximos, seriam como irmãos. Talvez a lógica dela não fosse a mais correta, a amizade poderia agravar a atração ou podia torná-la mútua. Penso que tinha esperança de que a última hipótese se concretizasse. 

  Dois anos depois, só dois anos depois, ela reencontra-o e sabe que ele reparou nela, devido ao seu gesto de gentileza ao deixá-la passar à sua frente, quando ambos se tentavam deslocar no meio da multidão, para que ela permanecesse junto aos seus amigos. Nesse momento, olham-se nos olhos, ela reconhece-o e fica atrapalhada, mas rapidamente se move e junta-se aos amigos. Aquele olhar penetrou-lhe a alma, fê-la sentir que não era invisível para ele, apesar de até saber que não o era. Poucos dias depois volta a vê-lo, ele cumprimenta uma parente dela que o conhece há muito tempo. Ela finge que não o vê, tenta não demonstrar nenhuma emoção e destraí-se com o resto das pessoas, para evitar que a parente a pudesse chamar. Repara que ele olha para ela, mas apenas de esgueira e sabe que, apesar de terem passado dois anos, não vale a pena alimentar as suas esperanças, mas evitá-lo é simplemeste impossível. 

  Pode passar o tempo que passar, mas ela não perderá a chama que sente por ele. Pode esquecê-lo, momentaneamento, dado que o tempo assim o exige, mas dentro dela haverá sempre esperança. Esperança de que ele possa fazer parte da sua vida, seja agora, daqui a 10 ou a 20 anos. 

  Ela percebe que são as paixões platónicas, agora escondidas no escuro da sua vida, que podem tornar-se no arco-íris do seu futuro. Entende que não há paixão que lhe desperte em si tanta esperança como aquela, que ela a faz crescer e sonhar e que a ensina a viver o presente, sabendo que pode conquistar o futuro.

  Snow White